6 de Fevereiro de 2010

Além do BPM - Menos foco em processos e mais foco em capacidades

Arquivado sob: BPM — marco @ 20:18

O termo BPM nos remete a uma ênfase na palavra processos e uma visão de mundo onde uma empresa pode ser vista como uma coleção de processos. Este pensamento, em si, é perigoso e infelizmente enganoso. A palavra processos nos remete ao “como” e nos faz esquecer do entendimento do “quê” deve ser realizado. A consequência prática é que algumas iniciativas BPM de mercado tem falhado ou no máximo obtendo ganhos marginais. Podemos combater este pensamento com o conceito das “capacidades de negócio” como um elemento que precede os processos de negócio.

Repensando o salto em altura
Conforme citado no bom livro Rethink, de Ric Merrifield, os saltos em altura eram realizados com o atleta em direção frontal ou diagonal à barra. Ao tentar melhorar a eficiência destas técnicas, alguns atletas apenas obtinham um ganho marginal na altura transposta. Ao remover o raciocínio limitante e pensar em uma nova forma de saltar, um atleta chamado Dick Fosbury estabeleceu novos patamares para o esporte, ganhou a medalha de ouro no méxico em 1968 e batizou o estilo de salto usado hoje em 2010 com o seu nome. Ele escapou da armadilha do “como” antes do “quê”.

Salto no estilo Fosbury

Modelagem de Capacidades de Negócio
O problema do BPM não é o foco em processos, mas o foco prematuro em processos. O atleta Dick Fosbury trabalhou muito na eficiência dos seus processos, mas depois de entender as corretas capacidades a serem realizadas. Estendendo as idéias tradicionais do BPM, destacamos aqui a idéia das capacidades de negócio.

Uma capacidade de negócio é visão multi-dimensional de uma organização com um objetivo claro de negócio, atividades de negócio (processos), recursos humanos, um modelo de governança e serviços de negócio. Um exemplo no segmento de TELECOM seria a “Ativação de Serviços de Telefonia”. Um outro exemplo, no segmento de aluguéis de carros seria a “Gerência de Frotas”. Neste instante do tempo, ainda não estamos preocupados com os processos necessários para a ativação de telefonia ou os processos para o gerenciamento de frotas.

Técnicas de modelagem de capacidades como o IBM Component Business Model ou o Microsoft Business Capability Mapping podem nos ajudam a modelar todas as capacidades da sua organização e desenvolver visões chamadas de mapas de calor para perceber os elementos disfuncionais em uma organização. Ao saber que disfunções a nossa organização possui, podemos então focar então na modelagem dos seus processos e então nas suas melhorias.

A disciplina de modelagem de capacidades é vista como arquitetura de negócio e deve preceder e guiar as atividades de modelagem de processos de negócio. A modelagem de capacidades é realizada pelo arquiteto de negócio da sua organização e a modelagem de processos pelo analista de processos de negócio.

Para os interessados no tema, coloco aqui algumas referências a respeito:

1 Comentário »

  1. […] Pense em capacidades de negócio e serviços Citando um velho ditado latino chamado “Divide et impera”, a chave para sermos efetivos é quebrar o conceito de “sistemas de TI” e pensar em termos do conceito de capacidades de negócio e também em termos de serviços de negócio. Serviços de negócio são pequenos módulos de negócio que geram algum valor de negócio para a organização. A vantagem desta abordagem é que serviços de negócio podem ser colocados rapidamente em produção, gerar valor real de negócio muito mais rapidamente e permitir uma adaptação do negócio a mudanças do mercado. […]

    Pingback de Blog do Marco Mendes » A Morte dos Sistemas de Informação de TI — 1 de Abril de 2010 @ 20:44

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