28 de Julho de 2009

Você trabalha em uma fábrica de software, uma fábrica de recursos ou em um presídio de software?

Arquivado sob: Gestão de Pessoas — marco @ 23:48

O modelo de “fábricas de software” está em franca expansão na TI Brasileira. Com a premissa de maior produtividade e redução de custos para contratantes, este modelo originalmente nasceu do belo conceito de “Software Product Lines”, muito bem documentado em corpos de conhecimento do SEI e outros institutos mundo afora.

Infelizmente, algumas “fábricas de software” não são exatamente “Product Lines”, mas instrumentos de lucratividade apenas de seus sócios.

Coloco abaixo um teste lúdico para que um desenvolvedor possa avaliar a qualidade do ambiente que ele trabalha. Quanto maior a pontuação, melhor.

Horas Extras

  • Horas extras são uma exceção e você é pago com um valor de hora extra conforme legislação CLT. (SOME 1 PONTO)
  • Horas extras são uma constante e você é pago com incentivos morais, tapinhas nas costas e elogios oportunistas. Normalmente você trabalha mais de 200 horas por mês. (SOME -1 PONTO)
  • Você não tem finais de semana. (SOME -2 PONTOS)

Treinamento e Aprendizado

  • Existe um programa de treinamento formal na sua empresa e você é normalmente capacitado em novas tecnologias e novos domínios de negócio. (SOME 1 PONTO)
  • O seu programa de treinamento é feito por conta própria por você de madrugada e nos finais de semana. (SOME -1 PONTO)

Participação em Projetos

  • Você é normalmente convidado para opinar e propor soluções técnicas no seu projeto. (SOME 1 PONTO)
  • Você recebe ordens e deve executá-las sem discutir. (SOME -1 PONTO)

Apoio Gerencial

  • O seu gerente é um facilitador para os seus problemas. (SOME 1 PONTO)
  • O seu gerente somente sabe cobrar o % de completude do caso de uso. “E aí, tá pronto?”. (SOME -1 PONTO)

Apoio Técnico

  • A sua empresa possui uma área de frameworks e técnicos especialistas para resolução de problemas. (SOME 1 PONTO)
  • O seu suporte técnico é o Google. (SOME -1 PONTO)
  • Você não tem acesso ao Google no trabalho. (SOME -2 PONTOS)

Tratamento na empresa

  • O seu RH o trata pelo nome. (SOME 1 PONTO)
  • O seu RH o chama de recurso ou colaborador nos emails. (SOME -1 PONTO)

O resultado da sua fábrica…

Se você marcou mais que 3 pontos, isso é uma excelente notícia. O seu ambiente é saudável e você tem uma boa qualidade no desenvolvimento diário dos seus sistemas. Conte a sua história aqui.

Se você marcou entre 0 e 3 pontos, você provavelmente trabalha em uma fábrica de recursos. Você é uma mais uma peça da engrenagem fabril. Recomendo que você assista ao clássico filme chamado “Tempos Modernos”, com o Charles Chaplin.

Tempos Modernos

Se você marcou pontuação negativa, você trabalha em um presídio de software. Recomendo que você assista ao clássico filme “Fuga de Alcatraz”, com Clint Eastwood.

Fuga de Alcatraz

6 Comentários »

  1. Grande Corélio! Excelente seu artigo!! Tirou as palavras da minha boca!

    Comentário de mmurrer — 30 de Julho de 2009 @ 19:04

  2. Se eu enviar este texto para o RH da minha empresa, e for demitida. A empresa perde quantos pontos?
    :)

    Comentário de cristianemissias — 2 de Agosto de 2009 @ 15:35

  3. Excelente post Corélio!
    Acho que o erro primário está no próprio conceito de Fábrica de Software. Software é um produto intelectual e o modelo de linha de produção não se aplica. Prefiro pensar na idéia de um “estúdio de software”, uma vez que estúdios são locais de trabalho onde pessoas (ao contrário de recursos ) desenvolvem trabalho criativo.
    Uma excelente discussão a este respeito é o livro “Software Crsftsmanship” de Pete McBreen, que eu só tive o prazer de ler recentemente
    (http://books.google.com.br/books?id=C9vvHV1lIawC&lpg=PP1&dq=software%20craftsmanship&hl=en&pg=PP1#v=onepage&q=&f=false)

    Comentário de juliano — 6 de Agosto de 2009 @ 13:55

  4. Eu particularmente achei algumas besteiras:

    - A empresa de software que tem medo de horas extras é uma empresa fadada ao fracasso (sem horas extras = empresa sem crescimento ou em declínio). Saber gerenciar horas extras pode ser um sinal de bom desenvolvimento da empresa; um “overbook” num determinado momento pode significar uma necessidade de crescimento da equipe, e que pode estar associado ao crescimento das demandas de clientes.
    - Gerente de Projetos em geral não colabora para ajudá-lo em atividades técnicas porque não é esse o objetivo do cargo. Veja uma definição melhor em: http://www.gerenciarprojetos.com.br/index.php?lingua=1&pagina=atrib_proj
    - A empresa que possui programa de treinamento perfeito é uma empresa que não trabalha com inovação (sem inovação, em outras palavras mudanças, é possível tornar o treinamento um verdadeiro brinco!). Pela mesma razão, apesar de existir outras pessoas na equipe para ajudar a resolver problemas (e que são essenciais para o bom desempenho), o Google (leia-se Pesquisar) precisa mesmo ser uma importante ferramenta de informação.

    Comentário de balena — 3 de Setembro de 2009 @ 14:11

  5. Bm dia, Balena. Nao disse que horas extras sao ruins. Disse que devem ser exceção e não a regra. Se são a regra, então violam a própria definição da palavra “hors extras”. Como você mesmo disse, o correto é usar o overbook em momentos necessários ao bem estar do projeto.

    Tambem nao disse que um gerente deve saber atividades técnicas. Disse que o gerente deve ser um facilitador e nao um ser que apenas sabe “cobrar”. Os melhores gerentes que tive a oportunidade de conhecer na minha vida foram aqueles que mesmo sem entender de uma linguagem de programaçao, lidavam com os impedimentos do time facilitando os mesmos na busca de auxílio externo para fazer o time produzir.

    Finalmente, vejo o Google como elemento positivo, mas como as melhores práticas de mercado nos dizem, é saudável que toda empresa tenha um programa de treinamento formal, que pode ser manifestado por treinamentos em sala de aula, treinamento virtuais, coaching por lideres tecnicos, estudos de paginas da rede e outros instrumentos ageis. O importante é que isto seja planejado pela gerência e não deixado como problema do time de desenvolvimento.

    Comentário de marco — 23 de Outubro de 2009 @ 12:44

  6. Eu já sabia que dificilmente eu estaria, segundo o teste, no grupo em que a situação é a ideal.
    Sobre as horas extras, gostaria de dizer à(ao) nossa(o) colega Balena, que não deve ser desenvolvedor(a) atualmente, provavelmente é um(a) coordenador(a) ou gerente, que também defendo a utilização das horas extras. Entretanto, elas devem ser devidamente remuneradas segundo a CLT. Nunca, a menos que o colaborador deseje, utilização de bancos de horas. Também sou totalmente contra a frequencia alta das horas extras, se isso estiver acontecendo é sinal que a coordenação não planejou corretamente a equipe (perfis e quantidade de pessoas) para o projeto.

    Comentário de Menegato — 7 de Junho de 2010 @ 12:11

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