MPS.BR 1 x 0 CMMI
Fiz recentemente um diagnóstico de maturidade no desenvolvimento de software de empresas de software de todo o Brasil. Um dos pontos de investigação era o uso de modelos formais de “certificação”. Para minha surpresa, vi que o modelo CMMI está com uma audiência muito baixa no Brasil quando comparado ao modelo brasileiro MPS.BR, que goza de grande popularidade. Como exemplo, no estado onde fizemos um estudo mais detalhado (Minas Gerais), vimos apenas 4 empresas com modelos CMMI implementados, contra mais de duas dezenas de empresas com o modelo MPS.BR implementado.
Não tenho a pretensão de realizar aqui um julgamento de valor, mesmo porque a constelação CMMI é um trabalho mais sólido e maduro que o nosso modelo tupiniquim, mas coloco abaixo uma percepção sobre esta grande popularidade do modelo MPS.BR
- O MPS.BR conta um programa de fomento do governo Brasileiro, capitaneado pela SOFTEX.
- O MPS.BR é aceito como comprovação de maturidade em toda licitação de um órgão do governo.
- O MPS.BR conta com um rede articulada de atores de negócio regionais e um número cada vez maior de implementadores e avaliadores.
- Uma implementação CMMI é bem mais cara que uma implementação MPS.BR. A relação é da ordem de 3 para 1 e especialmente para empresas de pequeno e médio porte o custo pode ser proibitivo.
- O MPS.BR possui um modelo de implemetação para grupos de empresas, que torna os custos compartilhados de cursos, de implementadores e avaliadores bem mais adequados à realidade do mercado nacional de desenvolvimento de software.
- A premissa de offshoring do CMMI não se mostra economicamente viável na prática. Um desenvolvedor Brasileiro custa em torno de 25 dólares, contra 10 dólares de um desenvolvedor Indiano ou os meros 7 dólares de um desenvolvedor Chinês. Somos clararamente não competitivos quando comparados a eles para atividades triviais e sem valor agregado dentro da cadeia de desenvolvimento de software.
É importante dizer que o MPS.BR e o CMMI são modelos que aferem a qualidade do processo e não a qualidade do produto e por isso não tem a pretensão de garantir a qualidade dos sistemas de software desenvolvidos por empresas. Entretanto, devido a futura e próxima ubiquidade do MPS.BR no Brasil, vejo um efeito similar ao das empresas indianas com o CMMI, i.e, quem não possuir pelo menos uma titulação MPS.BR nível G (parcialmente gerenciado) ficará fora do mercado e nem será avaliado por empresas contratantes de software.
Pensamento do dia: “Um longo tempo é necessário para trazer a excelência à maturidade”, Publius Syrus, Séc. I A.C.