26 de Janeiro de 2009

O “Analista Ocupado” ou “O Tênue Equilibrio entre a Produção e a Capacidade Produtiva”

Arquivado sob: Gestão de Pessoas — marco @ 18:51

Você provavelmente conhece muitas analistas e desenvolvedores “ocupados”. Pessoas muito “ocupadas” almoçam em quinze minutos, não tem tempo de conversar cinco minutos no café, ler um bom blog na Internet ou fazer qualquer outra atividade de TI que não seja escrever, desenhar, codificar e testar casos de uso. O senso de urgência é tão grande que estas pessoas também não tempo de estudar ou pensar sobre estratégias para serem mais eficazes e eficientes no seu trabalho. Nos casos mais graves, eles também não tem tempo de dormir oito horas por dia ou dar atenção à sua família. Afinal, existem defeitos para consertar, sistemas para implantar ou ligações do trabalho para atender.

O Equilíbro P/CP
Equilíbro P/CP

Este tipo de analista, consciente ou inconscientemente, somente enxerga a produção (P), em detrimento da sua capacidade produtiva (CP). A relação P/CP determina, como na fábula da galinha dos ovos de ouro, a relação entre a produção (P) e a capacidade necessária para a produção (CP). Queremos ovos de ouro, mas se não alimentarmos a galinha ou, ainda pior, matarmos a galinha, não teremos mais ovos.

É verdade que muitos analistas trabalham desta forma pois são guiados por gerências ou empresas que focam apenas na produção sem fornecer a infra-estrutura e meios para que o analista se recicle e seja um aprendiz constante (CP). Independente da razão, entretanto, o destino deste analista é um dos seguintes: a obsolescência ou um crônico problema de saúde. Analistas obsoletos ou doentes não produzem mais ovos atrativos e entram numa espiral descendente de produção inadequada e baixa capacidade produtiva. São galinhas velhas que param de botar ovos e se tornam canja para a sopa da rotatividade corporativa. No fim, estes analistas são substituídos por outros profissionais de mercado, que possuem um maior P e um maior CP. Eles formam a maior parte da massa de analistas demitidos e que tem grande dificuldade em se reposicionar no mercado.

Idealmente, as empresas deveriam fornecer espaço para que os seus profissionais trabalhem o CP. Programas de treinamento formais e espaços livres na agenda semanal para atividades de aprendizado constante de seus funcionários são exemplos de ações nesta linhas. Cito dois bons exemplos de empresas assim no Brasil:

  • Uma multi-nacional no Rio de Janeiro que impede que gerentes aloquem mais do que 6 horas diárias ou 30 horas semanais de cada analista ou desenvolvedor.
  • Uma empresa de pesquisa aplicada em Belo Horizonte que fornece às tardes de Sexta-Feira para os funcionários estudarem.

Profissionais que não trabalhem em empresas que priviligiem o CP, entretanto, não podem se lamentar. Ao invés, eles devem buscar o aprendizado constante e obviamente lutar para que as suas empresas implementem estes programas. Cursos de especialização, assinatura de revistas ou participação em comunidades técnicas são exemplos pessoais de aumentar o seu CP.

Não devemos, também, mirar no outro extremo e ficar apenas na “teoria”. Resultados contam e são muito importantes. Você provavelmente também deve conhecer algum analista “desocupado”. Ele passa o dia no MSN, no Orkut, Facebook, LinkedIn, Twitter e responde quase todos os emails em listas de discussão. Este profissional também não conclui projetos, pois ele está sempre mudando de empresas ao sabor dos modismos tecnológicos que ele ouviu falar ontem. Muitas vezes ele também é conhecido pela aplicação da técnica chamada “Resumèe-Driven-Design”, que é aplicar apenas o seu último framework “predileto” em todos os seus projetos. Sem o P, a equação P/CP se torna desiquilibrada. A sabedoria se encontra no equilíbrio ou como dizem os Budistas, no “Caminho do Meio”.

Por fim, lamento apenas que os “analistas ocupados” não poderão ler este post. Eles estarão muito atarefados na produção de ovos nas granjas de TI de todo o Brasil.

Pensamento do dia: “Os analfabetos do século XXI não serão aqueles que não sabem ler e escrever; mas os que não sabem aprender, desaprender e reaprender continuamente”, Alvin Toffler.

1 Comentário »

  1. Muito legal o post, Marco. Concordo plenamente com suas considerações e acredito que o mais difícil para o profissional é encontrar o ponto de equilíbrio entre a P e a CP. O problema torna-se ainda mais crítico se o profissional trabalha em empresas que declaram estimular o profissional a buscar a CP, mas na prática só exigem a P. Já vi muitas situações como essas em empresas aí de BH…

    Abraço,
    Ricardo Mendes

    Comentário de ricardolsmendes — 28 de Janeiro de 2009 @ 14:55

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