10 de Outubro de 2008

Os 13 Comportamentos de Liderança de um Arquiteto de Software em Projetos

Arquivado sob: Arquitetura — marco @ 16:22

Uma das características chaves para um arquiteto é a criação de confiança e liderança técnica dentro de times de TI. Um excelente material a respeito sobre o estabelecimento de confiança e liderança, que adapto aqui para TI, foi escrito pelo Stephen M. R. Covey. Este material é simples e fornece conselhos bem pragmáticos sobre o tema. A sua prática, apesar de bastante complexa, pode gerar resultados fantásticos na dinâmica de um projeto.

    Comportamentos do Caráter do Arquiteto

  1. Ser franco. Ser honesto, dizer a verdade, usar linguagem simples, demonstrar integridade e não manipular pessoas estabelece conexões entre times e também com os envolvidos (clientes, patrocinadores, usuários e gerentes). Um projeto com pessoas desconectadas raramente irá cumprir seus objetivos. Um projeto com desenvolvedores versus usuários raramente resulta em relações ganha-ganha.
  2. Demonstrar preocupação sincera. Um arquiteto deve ouvir e respeitar profundamente todo o time técnico. Ouvir requer tempo e disposição. Nào é possível e correto ser “eficiente” com o time de desenvolvimento, especialmente com iniciantes.
  3. Criar Transparência. Um arquiteto não deve esconder informações do time. Ao invés, toda informação deve ser divulgada de forma aberta para críticas e melhorias.
  4. Fazer dos Erros Acertos. Errar é humano. Reconhecer erros demonstra humildade. Pedir desculpas sinceras com rapidez demonstra grandeza.
  5. Demonstrar Lealdade. É fundamental dar créditos às idéias de cada pessoa do seu time. Quando falar sobre qualquer pessoa do projeto (incluindo o cliente!), assuma que ele esteja presente.

    Comportamentos de Competência do Arquiteto

  6. Gerar Resultados. Um arquiteto deve produzir resultados consistentes durante todo o projeto. Manter o cronograma no prazo e gerenciar o orçamento técnico do projeto são aspectos chave para demonstrar competência técnica. Se algo fugir do planejado, o arquiteto não deve inventar desculpas pelo ocorrido.
  7. Melhorar Continuamente. Aumentar permanentemente os conhecimentos técnicos e habilidades é uma obrigação. O arquiteto deve ser um aprendiz eterno. Para isso, ele deve desenvolvedor sistemas de feedback formais e informais e aprender com este sistema. Parar no tempo e assumir que você se tornou sênior é um erro mortal.
  8. Encarar a Realidade. Enfrente a realidade e não as pessoas, i.e., trate as questões difíceis do seu projeto abertamente e não as esconda ou se esconda delas. Um bom arquiteto deve assumir os desafios e buscar soluções coletivas com todo o time para resolvê-las.
  9. Esclareça as Expectativas. Abrir e revelar expectativas, discuti-las diariamente com o time e validá-las é chave para exercer liderança técnica. Se necessário, renegocie as expectativas. O arquiteto não deve violar as expectativas e nunca assumir que elas estejam claras ou compartilhadas antes que ele as discuta.
  10. Pratique a responsabilidade. Seja responsável pelos resultados, positivos ou negativos. Não apontar os dedos para os outros em situaçòes da responsabilidade de um arquiteto é fundamental. Um arquiteto deve ser claro sobre como comunicar as suas ações no projeto e também as ações do time.

    Comportamentos de Caráter e Competência do Arquiteto

  11. Ouvir primeiro. Ouvir é difícil. Ouvir atentamente é muito difícil. Entretanto, um arquiteto deve aprender a ouvir, entender e gerar diagnósticos. Interromper pessoas no meio de uma explicação técnica é sinal de menosprezo e desprezo. Ao invés, o arquiteto não deve assumir que ele tenha todas as respostas ou questões. Pratique o “ouvir” no seu projeto.
  12. Honrar seus acordos. Diga o que você irá fazer. Então faça o que você disse que iria fazer. Mantenha os compromissos a qualquer custo, uma vez que você os tenha feito com o seu time. Se você marcou uma reunião, esteja lá pontualmente. Se disse que irá responder um email, responda-o. O compromisso é sinal de honra. A ausência do compromisso quebra a confiança.
  13. Estender a Confiança. Demonstrar a propensão à confiança com as pessoas que você tenha ganho a confiança é fundamental. O arquiteto deve aprender como estender a confiança a outras pessoas baseado na situação, risco e credibilidade.

Sinceramente, é mais fácil escrever ou falar sobre estes comportamentos do que praticá-los nos projetos. Entretanto, observei um exemplo de um arquiteto do meu círculo de amizades que (intuitivamente) praticou estes comportamentos em um projeto no primeiro semestre de 2008. O resultado foi estupendo. Um projeto de grande complexidade técnica e forte pressão de prazo foi entregue abaixo do orçamento, com pouquíssimos defeitos e no prazo.

Estou aprendendo sobre estes comportamentos. É difícil, mas posso dizer honestamente que quando percebo que pratiquei estes comportamentos em uma situação técnica no dia a dia, os resultados são visíveis. A eficácia aumenta a a eficiência também aumenta.

Para quem quiser buscar o artigo no original, deixo aqui a referência para o mesmo.

Pensamento do dia:

“If people know you care, it brings out the best in them.” - Richard Branson, Founder, , the Virgin Group

4 Comentários »

  1. Muito interessante! É bem perceptivel que comportamentos como os listados neste artigo, agregam grande valor as organizações. Também compartilho de experiências com pessoas que se enquadram na maioria das características, demonstrando um resultado muito positivo. Esse tipo de comportamento deveria ser, cada vez mais, incentivado pelas organizações, tornando-os parte da cultura organizacional.

    Comentário de Reifran Miler Oliveira — 16 de Outubro de 2008 @ 11:39

  2. […] Recentemente, escrevi uma compilação de características de liderança de arquitetos de software, inspirados nos comportamentos de liderança descritos por Stephen Covey. Acredito que estas características podem ajudar a resolver este problema e promover como conseqüência maior sucesso aos projetos. […]

    Pingback de Marco Mendes´s Blog » A Relação Tensa entre Gerentes e Arquitetos de Software — 22 de Outubro de 2008 @ 09:59

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