A Melhor Certificação de Arquitetura Java do Mercado é da… Microsoft
Tive a sorte de poder acompanhar e trabalhar com Java desde o começo da linguagem, em 1995. Naquela época, o papel do arquiteto de software era algo praticamente inexistente no Brasil e a menção a estes termos era distante e mencionado por pessoas como Grady Booch, Bertrand Meyer, Erich Gamma, Dana Bredenmeyer, Paul Clements e outros visionários. Desde o começo do século XXI, entretanto, a figura do arquiteto de software começou a se tornar popular no Brasil e em Belo Horizonte. Três fatores que ajudaram neste espalhamento foram o processo unificado (UP), a plataforma Java e a certificação SUN SCEA.
O processo unificado (UP), em minha visão, teve uma importância ímpar no espalhamento da figura do arquiteto. Isso é claro em um livro chave de 1995 chamado Object Solutions, de Grady Booch. Por o processo unificado (e suas derivações como o AUP, RUP ou EUP) ser um processo dirigido por cenários arquiteturais, vários gerentes e várias empresas começaram a entender a importância da figura do arquiteto. Hoje, 2008, toda fábrica de software de porte no Brasil possui algum arquiteto de software em seu corpo de profissionais.
A plataforma Java, por sua grande inovação e grande complexidade exigia também um outro tipo de papel além do clássico programador (hacker) no sentido original e bom desta palavra - sem nenhuma relação com os crackers.
A certificação SUN Java Certified Enterprise Architect também teve um papel chave para que a figura do arquiteto fosse conhecido. Isso certamente foi bom. Isso reconhecou a nossa profissão no mundo Java e nos valorizou profissionalmente. Entretanto, o objeto deste blog é avaliar o quão fraca são as certificações das empresas “Java” de mercado e constatar (heresia!?) que a certificação mais completa de arquitetura de mercado é de uma empresa que não pratica Java.
A certificação Java SCEA certamente foi muito bem construída e muito trabalho sério e competente foi colocado ali. Ela mede, sem dúvida, o nosso conhecimento de Java e aspectos de design de Java EE, APIs Java EE e os Core Java EE Patterns. Entretanto, aos analisarmos os seus objetivos vemos que diversas habilidades de um arquiteto de software não são trabalhados.
Alguns destes aspectos incluem:
- Experiência prática. Todos sabemos que um arquiteto Java que não tem uma vasta experiência prática de projetos (medido em milhares de horas como desenvolvedor e líder técnico) é igual a uma nota de 3 reais.
- Habilidades de liderança. A principal característica de um arquiteto é a capacidade de estabelecer autoridade moral dentro de um time para conseguir transmitir boas práticas e criar uma visão arquitetural e uma arquitetura executável adequada para o projeto.
- Compreensão de aspectos de negócios. Um arquiteto deve conhecer sobre arquiteturas de negócio e saber avaliar requisitos de negócio para saber como a sua solução técnica irá realizar estes aspectos.
- Habilidades de gestão de riscos técnicos. Fazer uma arquitetura é, em boa parte, gerir e mitigar riscos técnicos.
- Conhecimento lateral de tecnologias. Um arquiteto Java deve conhecer (mesmo que superficialmente) outras tecnologias além de Java (ex: Estratégias de EAI, Protocolos de EDI, Plataformas Altas, Bancos de Dados, Sistemas de Messageria, Sistemas de Orquestração de Processos, Ferramentas de BI, Portais, CRMs, ERPs, Sistemas Especialistas para o negócio sendo modelado, Usabilidade, Segurança da Informação, Testes de Desempenho, Planejamento de Capacidade, Processos de Software, Metodologias Ágeis, Redes, BPM, SOA, ITIL, Six Sigma e COBIT).
- Forte conhecimento de métodos arquiteturais (ex: SEI ATAM, RUP 4+1, ARID, FURPS+, ISO 9126).
- Arquiteturas corporativas. (ex: EABOK, TOGAF ou Zachman Framework).
As certificações com título de arquiteto da IBM e BEA, entre outras que observo, medem conhecimentos semelhantes à certificação de Java EE da SUN. Elas pecam, novamente, por não avaliar alguns dos aspectos citados acima.
Tentarei explicar aqui porquê o programa de certificação de arquitetura da Microsoft é tão rico e mais apropriado para alguém que queira trabalhar com arquitetura de software.
- Ele é um programa e não uma prova. Esta certificação é um processo com um tutor do núcleo de arquitetura da Microsoft que culmina na defesa de um projeto do mundo real perante uma banca para a avaliação das habilidades, conhecimentos e atitudes do candidato.
- As principais competências exigidas e avaliadas são (nesta ordem) - Forte conhecimento do negócio, Pensamento Inovador e Estratégico, Capacidade de Investigar Novas Tecnologias, Conhecimento de Frameworks Arquitetônicos e Melhores Práticas, Capacidade de Usar e Criticar Frameworks, Capacidade de Atingir Rápida Proficiência em Qualquer Tecnologia e Capacidade de Trabalhar com Informações Incompletas,
Como curiosidade, em todo o texto detalhado das competências exigidas por esta certificação, a palavra C# não é mencionada uma única vez. A palavra “Java EE” é citada uma vez! Uma outra curiosidade é que a primeira característica citada nesta página chama-se: Liderança.
Infelizmente, esta certificação (MCA) é muito cara (pelo menos para mim!) e requer a defesa em território americano. Talvez não por acaso existam somente 90 pessoas no mundo com esta certificação. Obviamente, esta certificação não é perfeita. Nenhuma certificação o é, mas ela consegue medir mais adequadamente, em minha modesta opinião, o que esperamos de um arquiteto de software em um projeto de TI.
Gostaria que a SUN, a IBM ou mesmo a Microsoft tivessem uma certificação como essa sendo executada em terrítório Brasileiro, com preços mais acessíveis. Até lá, é muito importante ter cuidado com “arquitetos de papel” que habitam o nosso mercado com suas certificações reluzentes.
Uma nota final. Para quem ficou interessado no programa da Microsoft (que inclui também 4 semanas obrigatórias de treinamento em Redmond), segue o link com mais informações.
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5 respostas para “ A Melhor Certificação de Arquitetura Java do Mercado é da… Microsoft ”
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Eu confesso que me surpreendi em ver a Microsoft ceder espaço para soluções “não Microsoft”.
Extrapolando o foco da certificação, considero essa atitude exemplar no contexto de emprego de tecnologias, que muitas vezes é defendida como se fosse seu time de futebol. Seja Java ou .Net, tecnologia proprietária ou aberta, o importante mesmo é a solução.
Doutor Marcos! Aqui é o Marcelo Murrer, da Squadra! Excelente blog e excelente post!
Muito interessante! Além disto, vale lembrar que existe a revista The Architeture Journal da Microsoft que é muito boa, e não se restringe somente à soluções Microsoft. Acho que nestes apectos, nós do mundo Java, é que devemos copiar
[]’s
Muito bom! Concordo que a Microsoft ofereça atualmente o programa mais interessante - apesar do custo praticamente hediondo - para arquitetos de software. Uma outra certificação que considero séria é a SEI SAPP, embora ainda focada no instrutor.
Sobre a certificação da Sun, acredito que, em 80% de sua abordagem, avalie a habilidade como projetista e somente 20% como arquiteto. Sem falar que não exige nada de experiência prática, apesar da recomendação de 5 anos de experiência na função (infelizmente é só uma recomendação, nada se comprova).
Quanto às da IBM e da BEA, francamente, acho que até ficam até aquém da ofertada pela Sun. São muito focadas no RSA e na pilha do WebLogic respectivamente.
Torço que o programa da MS sirva de pressão para que IBM, Oracle e cia venham a oferecer uma certificação decente.
Excelente post!
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